Autor

Minha foto
Fortaleza, Ceará, Brazil

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Capítulo Quatro - A Partida e a Captura

SETH ACORDOU INDISPOSTO AQUELE DIA. AGORA PASSAVA várias horas treinando incessantemente com as espadas, que jaziam no canto do quarto. Desceu para a cozinha, mas a sua surpresa foi ver o avô fazendo o café da manhã, feliz da vida.
– Ah, o senhor está aqui? – perguntou o garoto, cansado – Pensei que tivesse dito que ia viajar...
– E eu ia – respondeu Josef, risonho – Mas hoje é um dia especial e eu não poderia viajar assim.
– Dia especial? Como assim?
O avô encarou Seth nos olhos e encheu o peito de orgulho com o que ia dizer, mas só pelo brilho dos olhos amarelos de Josef, o garoto já sabia o que ele ia dizer.
– Hoje é o grande dia! O dia em que você vai atrás dos Talismãs!
Seth rodou os olhos para cima.
– Vô, já conversamos sobre isso... eu acho que não estou pronto ainda para isso. Quero dizer – disse ao ver a cara de desaprovação do avô –, não sei o que me espera lá fora. É um mundo bastante grande, sabia?
– Eu sei, mas...
– E outra coisa, posso demorar anos para achar os herdeiros. Porque eu sei que não vou conseguir passar pelos tais titãs sozinho. Mesmo com as habilidades novas do Talismã.
Josef encarou o chão, desapontado.
– Mas você está treinando há uma semana! E está se saindo muito bem. Eu tenho fé nos Deuses de que você vai encontrar seus companheiros muito em breve... Mas você não quer tentar, Seth!
– O senhor falando desse jeito até parece que quer a minha saída. Que eu vá embora...
O avô contornou a mesa e abraçou o neto. Um abraço forte, que comoveu o garoto.
– A última coisa que eu queria é que você fosse embora, Seth. Mas não temos escolha. O planeta está em perigo. E, infelizmente, só você pode impedir isso. É uma judiação fazer isso com um adolescente, mas não podemos fazer nada...
De repente, algo quente e molhado pingou na cabeça de Seth. Torcendo para que não fosse o que ele estava pensando, outros pingos vieram em cascata, seguidos de um barulhinho fino do nariz do avô.
Querendo mais do que tudo sair dali, o garoto deu graças aos Deuses quando a campanhia tocou e Josef foi atender limpando o nariz no avental de cozinheiro.
De seu quarto, para onde foi o mais rápido possível, Seth ouviu o avô conversando com a Sra. Diaz, enquanto ela perguntava se estava tudo bem com ele.
O garoto ficou encarando o teto do sobrado e pensou muito sobre a busca dos Talismãs.
– O Josef deve ser extremamente devoto aos Talismãs para deixar-me ir enfrentar o mundo. Ele tem razão, Lycan realmente deve ter acordado, embora não faça muito sentido. Mesmo assim, eu vou hoje. Arrumo minhas coisas e à tarde eu parto.
Seth virou-se na cama e encarou um retrato antigo de seu pai e sua mãe.
– Vovô, espero realmente que esteja certo.


A manhã na casa de Josef foi dedicada inteiramente para a procura de qualquer coisa que Seth pudesse levar na jornada. O máximo de roupas possível, comida, objetos de higiene pessoal, outros pertences adjacentes, o Talismã e as espadas.
– Como nós vamos levar tudo isso... nisso? – disse Seth, segurando uma mochila um tanto velha, mas bastante resistente.
– Bom – disse o avô, encarando a pilha de coisas –, se você perceber, nas laterais da mochila eu costurei suportes para você encaixar as espadas. Assim não precisa levar na mão.
– Vô, você é um gênio. Mas e o resto das coisas?
– Hum... Vamos ver... Teremos que cortar algumas coisas desnecessárias...
– Pensei que já tivéssemos feito isso – disse o garoto, risonho.
– Realmente, você tem razão – disse o avô, rindo – Tiraremos a comida. Seth, você colocou muita comida aí.
– Isso é o mínimo para me manter vivo durante um mês, mais ou menos...
– Pelo o amor dos Deuses, aí tem comida para alimentar uma família inteira por um mês!
– Qual é, não tem tanto assim...
– Não, não, não! A gente tira a metade disso aí. Acho que cabe o resto junto.
– A metade? – disse Seth – Aí eu volto daqui a quinze dias para pegar mais...
– Numa emergência, a Sra. Diaz deixou uns bolos aqui para você. Quando ela passou mais cedo.
– Como assim, ela sabe que eu vou... partir?
O avô pareceu pensativo.
– Você sabe que praticamente só temos contato com ela, não é? Alguns anos atrás eu emprestei o livro de Cassandra Futuro a ela, e a Sra. Diaz acreditou na história verdadeira de Lycan. É, meu neto, ela sabe que você é o Kathegetes Omega e conhece sua missão.
– E o que ela disse a respeito disso? – perguntou o garoto.
– Que vai rezar todos os dias aos Deuses para que você se saia bem e consiga juntar os Talismãs. – disse o velho, por fim. – Bom, vamos terminar e almoçar? Estou morrendo de fome.
– Eu que o diga – falou Seth, sorrindo.
Josef e Seth terminaram juntos a arrumação e foram almoçar. Depois de um rápido descanso, começaram a se preparar para a partida. A mochila parecia estar carregando o mundo inteiro dentro de tão pesada, e ficava um pouco desconfortável andar com as espadas penduradas nas laterais.
– Mas, tirando isso, tudo certo – disse Seth por fim.
Avô e neto ficaram se encarando um tempo, até o garoto quebrar o silêncio.
– Bom, é isso. Já está na hora... Tudo bem, vô?
Josef estava parado encarando Seth, então de repente começaram a cair lágrimas de seus olhos amarelos. Com o peito estufado disse:
– Eu sempre sonhei com esse dia... E ele finalmente se realizou. Obrigado, Seth.
E os dois se abraçaram mais uma vez, só que dessa vez mais demoradamente. Seth também deixou uma ou duas lágrimas rolarem por seu rosto antes do avô lhe surpreender com uma afirmação:
– Eu te amo, meu neto.
– Eu também, vô.
E ficaram ali, abraçados, até o avô se lembrar de que o garoto precisava partir.
– Bom, eu queria ir com você, mas – Josef pigarreou – não dá. Ah, eu já ia me esquecendo...
O velho foi até o interior da casa e voltou com uma pequena bolsa de couro.
– Tome, para você.
– O que é? – perguntou o garoto, remexendo a bolsa nos dedos.
– Mil Lycandollars.
A bolsa caiu no chão com estrépido, fazendo um barulho baixinho.
– Mil Lycandollars? MIL? O senhor enlouqueceu?
Josef deu uma risadinha fina.
– É, Seth. Para bancar as despesas da viagem que você tiver. Só não gaste tudo de uma vez, hein?
– Mas vô, é todo o dinheiro das economias...
– Não tem problema, vou morar sozinho agora, tem o dinheiro da aposentadoria e, numa emergência, tem a Sra. Diaz bem aqui do lado. Pegue a bolsa e guarde bem, certo?
Seth sorriu.
– Seu velho doido...
– É a idade, as pessoas vão ficando mais birutas...
Um último abraço, recomendações de última hora, checagem rápida das coisas e mais nada precisava ser feito na casa. E foi com uma sensação de desconforto que Seth cruzou o arco da porta e saiu.
– Boa sorte, Seth! – gritou a Sra. Diaz da casa dela.
A filha da vizinha, um bebezinho nos braços da mãe, também acenava.
– Obrigado, Sra. Diaz!
A placa do vilarejo Derghan parecia estar bem longe. Foi aí que o garoto percebeu que nunca notara a beleza do jardim da vila. Quando voltasse iria aproveitar mais a vida, como nunca fizera de verdade.
Ao passar pela placa, pôs a touca para esconder as orelhas e os óculos escuros para impedir a visualização de seus olhos de cobra. Uma última olhada na vizinha que ainda acenava, Seth caminhou pela trilha, sem olhar para trás.


Como era a primeira vez que visitava o Distrito do Raio, o garoto resolveu passar em Thunder City antes de prosseguir viagem. Nunca estivera nas cidades grandes; nos outros Distritos sempre morara no subúrbio, para não dar na vista.
Thunder City era, de longe, a coisa mais incrível que Seth jamais vira na vida. Centenas ou até milhares de pessoas andavam por aquelas calçadas, onde outras centenas de vendedores e mercadores se aglomeravam para tentar vender seu produto. Seth se sentiu tentado a comprar um monte de coisas, mas ao perceber que não havia espaço na mochila e que tudo o que vira era somente bugigangas, preferiu apenas olhar, embora a mão ficasse coçando para usar os mil Lycandollars dentro da bolsinha de couro. Nunca tivera em mãos tanto dinheiro na vida.
Também tentava focalizar os rostos de cada pedestre que passava por ele. Seguindo a orientação de Josef, os herdeiros de Lycan geralmente tinham olhos da cor de pedras preciosas ou semi-preciosas. Mas todas as pessoas pareciam ter olhos comuns, castanhos, negros, azuis e verdes. E nada de olhos especiais.
Absorto em seus pensamentos, tropeçou em alguém no meio da rua.
– Ei, garoto, olha por onde anda!
– Desculpe, senhor – disse Seth. Então percebeu que havia uma aglomeração de pessoas na calçada, todos com ponta dos pés, tentando olhar algo um pouco mais adiante.
– Eh.. com licença – pediu ele ao homem no qual tropeçara – O que está acontecendo ali adiante?
– Não sei, também quero ver – disse ele, mal-humorado.
O garoto se esticou para ver o que era. De longe, parecia ser uma pessoa fazendo uma demonstração de alguma coisa.
Com alguma dificuldade, Seth atravessou a multidão para chegar mais perto. Então foi surpreendido com uma salva de palmas enquanto um homenzinho se curvava logo adiante para agradecer.
– Agora, meu próximo número... – disse ele.
O homenzinho tirou uma bola vermelha de dentro de sua capa roxa e ficou brincando com ela de aparecer e desaparecer em suas mãos. A cada novo truque o público aplaudia cada vez mais, e o garoto acabou ficando por lá mesmo, assistindo.
Depois de várias mágicas, o homenzinho parou para descansar e algumas pessoas saíram, deixando Seth mais próximo do palco. Como estava próximo, conseguiu falar com o mágico.
– Muito legal isso que você fez – disse ele – Como faz?
O homenzinho riu.
– Meu rapaz, um bom mágico nunca revela seus truques!
– Eu queria aprender...
– Você não tem cara de mágico – falou o outro – Tem cara de aventureiro. E além do mais... Ei, cuidado!
De repente, um cotovelo protuberante atingiu Seth no rosto, quebrando os óculos bem no meio. Caiu no chão atordoado, mas sentiu o peso da mochila saindo de seus ombros...
– Volta aqui com a minha mochila! – gritou ele para um homem que, atracado com a mochila de Seth, vencia a multidão e saía para a rua.
O garoto se levantou rapidamente e se pôs a correr o mais rápido que podia, derrubando pessoas e algumas lojinhas postas na calçada.
Mesmo com um peso grande nos braços, o homem ainda corria rápido. Depois de se ver livre do aperto das pessoas, Seth quase voou atrás do ladrão, que distanciava cada vez mais.
Depois de um tempo correndo sem cansar, o ladrão parou no final da calçada, onde começava uma avenida altamente movimentada. O Kathegetes facilmente o alcançou, agarrando o seu ombro, pronto para revidar qualquer ataque do assaltante. Mas algo muito estranho aconteceu.
Um impulso elétrico saiu do Talismã em seu peito, percorreu seu tórax, seu braço e o ombro do ladrão. O homem soltou a mochila dos braços e se ergueu no ar, a uns cinco metros do chão e caiu com estrondo no meio da avenida.
Espantado com o que acontecera, Seth caiu sentado no chão e sentiu a touca deslizar para fora de sua cabeça. Já ia recolocá-la, mas um estrondo seguido de um baque surdo tirou todos os seus pensamentos da cabeça. Uma carruagem passara inteiramente por cima do assaltante, que agora estava imóvel no chão e jorrando sangue.
O garoto deu um grito estridente ao ver que o ladrão poderia estar morto no chão. De repente, algo agarrou sua cabeça e o ergueu do chão. Espantado, virou-se e se deparou com um negro gigante de mais de dois metros e uma cara nada amigável.
– Como isso aconteceu? – perguntou o negro, que era policial.
– Isso o quê?
– Não se faça de idiota, garoto. Como aquilo aconteceu? – disse ele, apontando para a avenida.
Agora a avenida toda parara e um grupo de policiais interrogava o cocheiro da carruagem que atropelara o assaltante. Um outro grupo examinava o ferido no chão. Um policial desse grupo chamou o negro:
– Gary, vem cá!
Seth caiu no chão com estrépido. Gary, o policial, foi até o grupo e sua voz grave ressoou:
– Como ele está?
– Muito mal – disse um dos policiais – Mas está vivo. Precisa ir pro hospital imediatamente.
Um outro policial veio correndo na direção do grupo:
– Ei, Gary! Precisa saber de uma coisa!
Os dois conversaram baixo, mas o outro policial ficava o tempo todo apontando para Seth. Antes que tivesse tempo de reagir, Gary correu e o levantou pela gola da camisa, exatamente como Roger fizera antes.
– Como você fez isso? – perguntou ele, ameaçador – Que tipo de mágica você estava usando, hein moleque? Me fala! Me...
Então seus olhos se arregalaram enquanto olhava para Seth. Instintivamente, o garoto pôs a mão na cabeça e não sentiu a touca.
– Droga...
Gary o soltou e, o mais rápido que pôde, agarrou a mochila e se pôs a correr, enquanto o policial gritava para os outros:
– Ele é um mestiço! Peguem-no!
Não adiantava correr muito com todo aquele peso nas costas. O garoto preferiria manter o pique, mas os policiais corriam rapidamente e alguns até já estavam entrando em carruagens.
– Não adianta correr! – a voz grave de Gary ressoava lá de trás – Anda, me dá uma besta!
A flecha errou a cabeça de Seth por pouco. O garoto tentou apressar mais o passo, mas era impossível. Então ouviu uma gritaria lá atrás, mas preferiu não olhar, pois mais flechas cortavam o ar na sua direção.
– Desgraçado! – gritou Gary – Vão atrás do garoto, eu cuido desse cara!
Não resistindo à curiosidade, Seth olhou para trás. Viu rapidamente o que parecia ser um homem montado num tipo de animal e...
BAM.
A mochila caiu com muito barulho no chão, ao passo que o garoto berrava de dor depois de bater de encontro com uma parede. De ouvido na calçada, sentiu um policial se aproximar dele. O mais rápido que conseguiu, se colocou de pé e apertou as duas espadas em suas mãos.
O oficial, um tanto roliço, apontava uma besta para ele, carregada com uma flecha pontiaguda. Seth ergueu as espadas em posição de ataque.
O policial riu.
– Vamos ver se a sua espada é mais rápida que a minha flecha!
– Vamos ver... – murmurou o garoto.
Já estava pronto para atacar, quando um barulho de objeto cortando o ar e rasgando uma roupa, somado a um jorro de sangue no rosto do garoto o fez soltar as armas, ao passo que o policial largava a besta no chão e apalpava o peito. O oficial havia sido trespassado com uma adaga.
Com um ruído seco, o homem caiu no chão e o garoto pôde ver o cabo da adaga que o acertara pelas costas. Erguendo um pouco a visão, teve a impressão que vinha em sua direção um monstro gigantesco. Já estava recolhendo as espadas novamente quando uma voz conhecida gritou para ele:
– Venha, Seth!
Uma mão o puxou para cima do monstro. Desesperado, tentou se livrar, mas a voz falou novamente:
– Calma, sou eu, Wallace Vankster.
Seth parou de se debater e encarou o rosto do homem que o traíra.
– Wallace? O que faz aqui?
– Salvando a sua vida – disse ele. E mostrou um conjunto de adagas em sua mão.
– Foi você que matou o policial?!
– Ou ele, ou você.
George andava rápido, embora estivesse com mais bugigangas do que nunca.
– Para onde nós vamos? – perguntou o garoto.
– Primeiro sairemos daqui.
Wallace ateou o gromt mais depressa. Desesperado, Seth olhou para trás e viu uns quinze policiais vindo atrás deles, todos dentro de uma carruagem.
– O que faremos?
– Faça o mesmo o que você fez contra aquele cara lá na feira.
– Eu não sei como eu fiz aquilo... Eu só fiz, entende?
– Sei – disse Wallace, contrariado – Faça o seguinte: pegue as rédeas do George; vou tentar acertar alguns policiais.
Com alguma dificuldade, os dois trocaram de lugar em cima do gromt. Virado para trás, Wallace atirava adagas nos oficiais. E o horrível som de algo pontiagudo penetrando na carne confirmava que o mercenário estava acertando o alvo.
– Wallace! Wallace! – berrou Seth.
– Que é?
– Socorro!
– Que m.. – e se virou.
O gromt se dirigia para a beira de um penhasco. Desesperado, Wallace apertou as rédeas de George para que ele mudasse a direção. Mas uma flecha cortou o ar e atravessou a cabeça do camelo de três corcovas.
Um barulho de centenas de objetos metálicos caindo no chão ressoou nas montanhas enquanto Wallace e Seth caíam com estrépido no chão.
– Mas que m... – praguejou o garoto.
Wallace berrou ao ver seu animal de estimação e montaria morto no chão e jorrando sangue.
– Desgraçados... Vão me pagar...
– Wallace, e agora? O que vamos fazer?
O mercenário virou-se de uma vez e, com a mão cheia de adagas, correu na direção da carruagem policial.
– Wallace, não! – berrou Seth, inutilmente.
Da estrada, o homem lançou uma adaga e acertou em cheio um dos cavalos da carruagem. Como o outro não conseguiria levar o meio de transporte sozinho, os oficiais foram obrigados a descer. E juntos, um grupo saiu armado com bestas.
– Podem vir... – e jogou uma adaga, errando por pouco o policial Gary – seus... – e lançou outra adaga, atingindo em cheio o peito de um deles – desgraçados!
Uma chuva de flechas veio na direção de Wallace, mas ele desviou com uma esquiva quase inimaginável.
– Wallace, venha! Proteja-se! – gritava Seth.
Depois de alguns minutos, Wallace deparou-se com as mãos vazias, sem adagas. Aproveitando que possuíam uma aljava toda carregada de flechas, os policiais, que agora eram sete, atiravam sem parar no mercenário, que se protegia atrás do gromt morto.
– Já chega – murmurou ele.
Empunhando uma espada retirada do monte de bugigangas de George, Wallace correu na direção dos policiais, desviando as flechas com uma habilidade incrível.
– Morram desgraçados! – berrou o mercenário.
Mas não chegou a ficar perto o suficiente para atingir um dos oficiais. Uma flecha certeira, lançada por Gary, atingira Wallace no ombro, derrubando-o junto com a espada no chão.
– NÃO! WALLACE! WALLACE! – berrou Seth, empunhando as espadas e se dirigindo ao amigo caído.
Cinco policiais foram em cima de Wallace, enquanto Gary e um outro correram na direção do garoto. Seth estava pronto para atacar quando, de esguelha, viu os outros cinco policiais atirarem flechas contra o corpo caído do mercenário no chão.
– SEUS DESGRAÇADOS! VÃO PAGAR POR ISSO!
O garoto correu contra o policial que estava na frente e o atacou. As lâminas das espadas cortaram a besta no meio e, por meio de um impulso elétrico, fizeram com que o oficial se erguesse no ar e fosse parar longe.
Parou abruptamente e olhou as suas espadas. Uma espécie de corrente elétrica circulava as lâminas, como pequenos raios. Então uma flecha lançada por Gary logo à sua frente o tirou de seus devaneios e fez Seth cortá-la no ar com um golpe.
– Malditos... Vocês o mataram... VOCÊS O MATARAM!
– E essa vai ser a sua vez, mestiço imundo – disse Gary.
O policial buscou por uma flecha na aljava presa às suas costas, mas não achou nada.
– Mas que m...
– O que aconteceu? – Seth riu ironicamente – Acabou a munição?
Gary encarou o garoto.
– Posso acabar com você sem munição, mestiço.
– Prove!
Seth correu na direção do policial com os braços estendidos e um ódio mortal. Mas um movimento rápido de Gary o pegou de surpresa. A besta vinha voando a toda velocidade em sua direção.
BAQUE.
Um ruído surdo. E tudo se apagou.

Um comentário:

  1. Ai que saco... quando tá massa tu acaba a história... vocês autores, viu?

    ResponderExcluir