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Fortaleza, Ceará, Brazil

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Capítulo Dois - A História de Josef Lycanthunder

Seth correu o máximo que pôde, mas suas pernas, que antes pareciam ter recuperado a força, começaram a fraquejar e amolecer, até que ele caiu. Nunca sentira tanta dor na vida. Suas costelas ainda sentiam os pés dos amigos de Roger que o chutaram, seu nariz ainda não se recuperara das constantes batidas que o líder do quarteto de mal-encarados esmagara contra o chão do pátio. Mas havia uma coisa que doía mais do que tudo: a dor do preconceito. Então ele era um mestiço, fruto da cruza de dois seres diferentes. Afinal, ele tinha um motivo para ser discriminado. Mas por quê?
Então uma espécie de queimação ardeu em sua garganta, e Seth sentiu sede. Uma sede descomunal tomou conta de seu corpo, e ele estava no meio de um deserto. Como fora parar lá? Com certeza deve ter pegue um caminho diferente sem querer. Logo agora que se mudara para o Distrito do Raio. Será que nesse Distrito haveria uma área desértica?
De repente um sentimento novo invadiu seu peito: medo. Iria morrer ali, de dor e de sede, e nunca chegaria em casa, rever seu avô, perguntar para ele por que era um mestiço, por que nunca conhecera os pais...
Uma sonolência tomou conta de Seth. “Vou morrer, não posso morrer, tenho que me manter acordado...” pensou. Suas pálpebras foram abaixando, o sono chegando... Ele sentia que se dormisse nunca mais iria acordar... Então ouviu ao longe um bater de patas na areia. Tinha que se manter acordado, tinha que pedir ajuda... Mas era um esforço além da conta ficar de olhos abertos...
Seth sentiu um animal quadrúpede parar ao seu lado. Escutou uma voz masculina, enquanto um homem descia da montaria cheia de bugigangas e se agachava ao seu lado. O garoto abriu a boca para falar, mas não saiu som.
– Garoto. Garoto! – insistia o homem balançando-o levemente – Está vivo?
– Hum... sim – respondeu Seth com a voz rouca.
– Graças aos Deuses! Olhe só seu estado! Você está bem?
– Não – respondeu o garoto – Quero ver o meu avô.
O homem o pôs sentado. Seth pôde ver que ele tinha cabelo e barba grisalhos, além de um rosto bondoso.
– Tudo bem, vou levá-lo ao seu avô. Como você se chama, meu jovem?
– Seth – respondeu – Seth Heyfield.
– Certo Seth – disse ele – Sou Wallace Vankster. Suba aqui no George que eu vou levar você a um lugar seguro.
– Subir em quem? – perguntou Seth, preocupado.
– No George, meu gromt. Vamos – e colocou-o de pé.
Seth ia perguntar o que era um gromt, mas viu que era um camelo de três corcovas e patas cascudas. George estava apinhado de objetos como panelas, uma rede e algo que parecia uma tenda enrolada. Parecia que Wallace estava viajando há muito tempo.
– Espera aí – disse Seth enquanto o homem o punha na corcova do meio – Eu preciso falar com o meu avô.
– Vou te levar a um lugar seguro e quando você estiver em melhores condições, você fala onde é a casa do seu avô, certo Seth?
– Tudo bem – respondeu – O senhor tem razão.
Então a vista de Wallace caiu no nariz do garoto.
– Hum, esse nariz está horrível.
Seth tocou no nariz. Havia um calombo lá e tinha muito sangue escorrendo.
– Espera aí, tenho a solução – disse Wallace remexendo nas trouxas fixadas na última corcova do gromt, de onde tirou um pacote com pedras transparentes – Agora, se me permite... Assim.
- AAAAAAAARRRRRRREEEEEEE!!!
O homem colocou um polegar por cima do outro e pressionou o nariz de Seth. Ouviu-se um estalo horrível e o garoto começou a berrar de dor. Rapidamente Wallace encostou o pacote no nariz de Seth, e a dor sumiu no mesmo instante, assim como o sangue parou de escorrer.
– É gelo místico, ganhei um pacote quando estive no Distrito da Água. Agora é só deixar assim que em pouco tempo sara completamente – disse Wallace. Então sua visão fixou-se em alguma coisa ao lado da cabeça do garoto e o homem fez uma careta bem discreta.
Wallace amarrou o saquinho no rosto do garoto e subiu no gromt, e o mesmo começou a andar. Com o balanço de George e seu andar desengonçado, sem falar no sono que há muito persistia em tomar conta de Seth, o garoto foi fechando os olhos até que dormiu profundamente. Seu corpo foi escorregando e encostou nas costas de Wallace, que soltou um calafrio, talvez por causa do gelo místico ou por qualquer outro motivo.


Seth acordou com muita dor nas costas. Ao abrir os olhos, a primeira coisa que visualizou foi que estava deitado sobre cinco centímetros de cimento frio. Seus olhos acompanharam o final do concreto, que era pendurado por grossas correntes metálicas pretas. Imaginando que lugar teria uma cama assim, sua audição captou o motivo pelo qual acordara.
Havia dois homens discutindo às suas costas, um deles gritando a plenos pulmões. Seth ficou só ouvindo.
– Como assim, só essa mixaria?
– Infelizmente Sr. Vankster, nós só podemos lhe dar isso. É todo o dinheiro que possuo.
– Vinte Lycandollars é tudo o que você tem? Vinte Lycandollars?!
– Mas Sr. Vankster, o que o senhor trouxe não é nada de mais!
– Nada de mais? É um mestiço, seu policial idiota! Pensei que dessem dinheiro para os que capturavam essa raça nojenta!
– O problema, Sr. Vankster, é que temos recebido vários mestiços durante o inverno e a delegacia ficou sem dinheiro!
– Você sabe o que foi persuadir esse imbecil pestilento?Eu podia ter deixado-o morrer lá, mas eu o trouxe aqui, fingi ser bonzinho e o que é que eu ganho? Vinte Lycandollars!
– Mas...
Seth levantou-se de uma vez. Arrependeu-se de ter feito isso, acabou por ficar zonzo por alguns segundos. Se pendurando nas frias grades negras da cela, Seth ficou cara a cara com os dois homens.
– Sr. Vankster?
Wallace virou-se tão rápido que o policial pensou que o homem fosse cair. Em vez disso, ele ficou contemplando o rosto lívido do garoto.
– Eh... Seth?
– Sr. Vankster, é verdade o que o senhor falou? – perguntou Seth com os olhos embargados.
Uma vergonha gigantesca pareceu invadir o corpo de Wallace, que fez o mesmo contemplar os pés.
– Desculpe-me Seth, eu precisava do dinheiro...
– Precisava nada! – debochou o policial atrás do balcão – Ele é um mercenário, garoto! Fazem de tudo por uma grana fácil!
– Não é exatamente assim! – disse Wallace.
– E como é, então? – perguntou Seth.
Em vez de responder, Wallace saiu quase que correndo da delegacia. Então, uma gota de lágrima percorreu o belo rosto de Seth, enquanto o policial falava com a voz cansada.
– É a vida, garoto. E vai se acostumando com esse lugarzinho que você vai passar um bom tempo aí.
Seth virou-se e escorregou pela grade negra, sentando de costas para o policial que, Seth percebeu, saiu detrás do balcão e adentrou a delegacia um tempo depois.
Foi então que Seth reparou num corpo na escuridão, do outro lado da cela. Aproximou-se dele e o tocou. Um garoto ergueu-se com um tranco e observou decepcionado o rosto de Seth, como se pensasse que era outra pessoa.
– Eh... tudo bem? – perguntou Seth. De repente levou um susto quando reconheceu o rosto; era Brad, o garoto que havia sido levado pelos policiais mais cedo.
– Sim. Você foi capturado também?
– É... Fui.
Brad resolveu sair da sombra e contemplou Seth. Não devia ter mais do que doze anos. Seu rosto estava manchado de uma lágrima que não fora enxugada.
– Então você é um mestiço também. Eu sou filho de uma humana com um Elfo. E você?
– Eu... sinceramente não sei – respondeu Seth.
– Ah. Bom, obrigado por perguntar se eu estava bem. Você é muito gentil, Seth.
– Como sabe meu...
– Ouvi aquele homem gritando – disse Brad com um sorriso. – A propósito, eu sou Brad. Prazer em conhecê-lo.
Seth então viu que Brad tinha orelhas pontudas e olhos de pupilas verticais que pareciam lâminas. As pupilas de Seth também eram verticais, só que mais espessas. Brad se recolheu no mesmo canto e voltou a dormir, deixando o outro a ver apenas a escuridão de onde ele veio.
A tarde se passou rapidamente e a noite adentrou a delegacia. Alguma coisa apertou no coração de Seth: sempre odiara o crepúsculo. Trazia para o garoto uma espécie de desamparo.
Parecia que fazia dias que fora para a escola pela primeira vez. Então, de repente, um sentimento de culpa se apoderou de seu peito. E se o Prof. Jackson tiver sido descoberto por ter ajudado Seth? E se tiver sido despedido? A culpa era toda dele.
Seth já estava se incomodando de ficar solitário. Nunca tivera medo da solidão, principalmente quando o avô precisava fazer longas viagens para outros lugares, sempre com a recomendação de não falar com ninguém. Agora fazia sentido. Fazia isso para não bancar o idiota, acreditar num rosto bondoso e acabar preso como agora.
“Não existem pessoas que não sejam preconceituosas hoje em dia, seu bobo”, pensou amargamente.
Então um ruído de movimentação vindo da entrada sobressaltou Seth. Um homem relativamente magro adentrou a delegacia e foi diretamente falar com o policial no balcão.
– Com licença, autoridade – disse ele – Me chamo Frederic Grints.
– Pois não, Sr. Grints – respondeu o policial – O que o senhor deseja? Boletim de ocorrência? Assalto? Seqüestro?
– Não, não! Graças aos Deuses, meu senhor! – riu o homem que, como Seth viu, tinha cabelos grisalhos e uma voz cansada.
– Então o que o traz aqui? – perguntou o policial, curioso.
– Ah – disse o velho – Um senhor acabou de me informar que colocou um mestiço aqui há algumas horas, correto?
– Sim. Exatamente isso.
– Ótimo. Bom, quanto o senhor pagou a ele, autoridade? – perguntou o velho com um tom de educada curiosidade.
– Vinte Lycandollars. Por quê? – indagou o policial, chegando mais perto.
– Bom, sou um colecionador de mestiços – respondeu o velho – Servem bem como escravos, sabe. E acho que mais um me beneficiaria mais.
O coração de Seth parou. Quem quer que fosse aquele idoso era colecionador de escravos. E, em breve, ele se tornaria um.
– Hum, vinte Lycandollars? Foi o que ele lhe pagou? Pois bem, vossa autoridade, lhe darei cem Lycandollars por ele. O que o senhor acha?
O policial avaliou o dinheiro nas mãos enrugadas do velho enquanto pensava.
– Cem Lycandollars por esse mestiço nojento? Mas para que tudo isso?
O velho pareceu suar frio.
– Bom, é o melhor mestiço que já encontrei. Com certeza está em melhores condições que os outros que possuo em minha mansão.
Então o velho virou-se e encarou Seth.
O coração do garoto deu uma guinada. Lá estava ele, irreconhecível vestindo uma roupa refinada, os cabelos penteados com gel, portando um pincenê de ouro no rosto e numa postura digna de realeza: o Josef Heyfield, avô de Seth.
– Bem, é verdade – concordou o policial, avaliando Seth de cima a baixo – Tudo bem, cem Lycandollars está de acordo.
Josef entregou o dinheiro ao policial, que o guardou em uma bolsa de couro. Em seguida, ele procurou alguma coisa de baixo do balcão e tirou uma chave prateada e um par de algemas.
– Ah, meu caro policial, talvez não precise de algemas, quero preservar os braços dele – disse o Josef – Vou colocá-lo para receber as minhas visitas. Assim vou poder finalmente substituir meu escravo banguela.
Seth engoliu a risada, poderia estragar o disfarce. As únicas visitas que recebiam eram do carteiro e da Sra. Diaz, uma vizinha roliça que sempre levava bolos ao avô de Seth.
O policial abriu a cela e saiu chutando Seth para fora dela.
– Vamos logo, seu mestiço imundo, vai para a mansão do Sr. Grints, servir de escravo para o resto da vida – disse rindo.
Uma vez fora da cela fria, Seth ficou de pé e encarou os olhos do avô, que lhe deu uma piscadela imperceptível ao policial.
– Foi um bom negócio com o senhor, Sr. Grints. Tenha uma boa noite.
– Igualmente, senhor... – Sr. Heyfield olhou no crachá do policial – Diank.
– Vamos, mestiço nojento – disse o Sr. Heyfield, imitando uma voz autoritária – Vamos que você tem muito trabalho hoje.
Josef segurou o ombro do garoto desconfortavelmente e o arrastou para longe. Seth deu uma última olhada na cela e, observando Brad, pediu mentalmente que o garoto tivesse sorte mais para frente. Só quando fizeram uma curva e ficaram imperceptíveis, o avô o largou.
O velho olhou para trás. Verificou se vinha mais alguém, então olhou nos olhos do neto e riu.
Os dois ficaram rindo um tempão. A noite já ia longe quando eles conseguiram tomar fôlego e conversar.
– Vô, onde o senhor conseguiu essa roupa? – perguntou Seth, rindo.
– Bom, consegui emprestado com a Sra. Diaz. O pincenê, lógico. As roupas eu achei no nosso sótão. Está na nossa geração há anos, pensei que você fosse me reconhecer nelas assim que entrei.
– Impossível – disse o garoto – Com esse penteado e os óculos dourados, era impossível...
– Seth, por que você tirou os óculos escuros e a touca?
A pergunta o pegou de surpresa. O avô, que antes estivera risonho, agora estava estranhamente sério.
– Quê? – perguntou Seth.
– Por que você tirou os óculos e a touca? – repetiu Josef.
Seth encarou os próprios pés.
– Bom, eu não tirei. Tiraram de mim.
– Como assim?
Seth contou a história toda. Desde a aula até a perseguição no colégio, deste o espancamento até a fuga, desde o encontro com Wallace até a prisão.
– A propósito, vô, como soube que eu estava preso?
– Como eu disse, um senhor foi lá em casa e disse onde você estava e o que ele tinha feito.
– Wallace!
Caiu a ficha. Foi Wallace que fora até a casa do avô e contara seu paradeiro.
– Como ele pôde? Depois do que fez comigo!
– Seth, ele parecia estar arrependido, sabe.
As entranhas do garoto reviraram. Wallace arrependido?
– Ele disse que você era um bom garoto – explicou o avô – E que queria ver você uma outra vez, no futuro. Sabe Seth, ele parecia ser uma pessoa bondosa.
– Mas...
– Seth, ele admitiu que agiu mal, que estava envergonhado e que queria que você o perdoasse – disse o Josef, sério – Não é qualquer mercenário que faz isso, entende?
Então ele era uma boa pessoa. Sempre fora.
– E como ele sabia onde era a nossa casa, vô? – perguntou Seth.
– Bom, ele me disse que ouviu você falar inconscientemente para ele enquanto dormia – respondeu o avô, rindo – Foi bem estranho.
Seth observou as estrelas. Tinha uma pergunta que ele queria fazer a muito tempo e que lhe estava remoendo o peito. Só não sabia como.
– Vovô, por que eu sou um mestiço? – perguntou, reunindo toda a coragem que conseguiu juntar.
O avô fora pego de surpresa.
– É, Seth. Sabia que um dia ia me perguntar isso assim que percebesse. Sim, meu neto, você é um mestiço. Uma bela criatura fruto do amor infinito entre dois jovens: um humano, meu filho, e uma Elfa. Sim, Seth. De seu pai você herdou a coragem. De sua mãe, certamente a beleza.
– Coragem? – perguntou Seth, incrédulo – Se eu tivesse coragem, não estaria todo estropiado agora.
– Mas você foi corajoso, Seth. Enfrentou aqueles valentões com bravura. Se você apanhou, isso é uma questão de força, não de coragem. Como eu disse, de sua mãe você certamente herdou a beleza. E isso inclui as orelhas e os olhos. Essa é a marca mais aparente de um mestiço: a característica de outro ser.
“Tudo começou numa primavera, há catorze anos, no Distrito do Raio, exatamente aqui. Dois jovens se apaixonaram perdidamente. Peter e Flora. Um humano comum, filho de um marceneiro um tanto pobre se apaixonara por uma linda Elfa aquariana.”
– Aquariana?
– É o nome que se dá a quem nasce no Distrito da Água. O mesmo se dá aos raiosenses, aos fogoanos, aos arienses e aos terranos.
Bem, ele pedira para saber o porquê de ser um mestiço, mas descobrir sua origem também podia ser bem interessante.
– Ah, Seth, foi aqui que você nasceu.
– No Distrito do Raio?
– Sim.
– Mas o senhor disse que eu tinha nascido no Distrito da Terra!
– Mais uma vez para proteger você.
Seth engoliu em seco.
– Continuemos então. Flora engravidou de Peter e eles rumaram para cá, para que você nascesse exatamente onde eles tinham se conhecido. Mas, nem bem você fez um ano de idade, eles foram perseguidos até a morte. A sorte é que eles me entregaram você a tempo.
“Aí está a sua resposta, Seth. Mas, se quiser saber mais sobre suas origens, deve me acompanhar.”
Eles prosseguiram a conversa caminhando, rumando para o caminho de casa. Eram muitas revelações por um dia e Seth gostaria de ir para casa dormir.
– O senhor disse mais? O que tenho que saber mais?
– Você não é um garoto comum, Seth.
– Eu sei. Sou mestiço, não?
– Não é só isso, Seth. Tem mais.
Mais? O que mais ele seria?
– Como assim? – perguntou Seth.
– Suponho que nunca lhe contei sobre a história de Samuel Lycan, estou correto?
– Sim, tive que pedir ao meu professor para contar a história mais ultrapassada que meus colegas já ouviram – respondeu o garoto, zangado.
– Então sabe a história toda, não é?
Seth rodou os olhos nas órbitas com impaciência.
– Sim. Foi um grande feiticeiro que possuía o poder do Equilíbrio, teve cinco filhos que tiraram os poderes do Bem dele, Lycan matou os filhos por causa de uns tais Talismãs, caiu no arrependimento e morreu, estou correto?
– Não.
A resposta o pegou de surpresa.
– Como assim, “não”?
– A história não é assim. Pelo menos em parte – respondeu Josef. – E, como costumo dizer, uma meia-verdade é sempre uma mentira inteira.
– Mas foi o que o Prof. Jackson nos ensinou...
– Ensinou errado, Seth. Mas não o culpo por isso. E estou aqui para lhe contar, como um legítimo herdeiro de Lycan.
Seth sentiu uma bola de chumbo escorregar pelo seu intestino. O avô? Herdeiro de Samuel Lycan?
– Exatamente, Seth – disse Josef, adivinhando os pensamentos do neto – Você sabe, não é, que Lycan matou os filhos? Pois é. Mas seus herdeiros deixaram para trás, ao morrerem, esposas e esposos, com filhos. Ou seja, existem herdeiros de Lycan espalhados por esse planeta todo.
“Assim como os irmãos, Derek Lycanthunder deixou uma esposa e um filho. E é essa criança que nos originou ao longe de quase mil anos. O sobrenome Heyfield é apenas um disfarce, assim como essa roupa que estou usando agora. Meu nome verdadeiro é Josef Lycanthunder.”
Então, se o nome do avô tinha esse sobrenome, então é porque...
– ... Eu também tenho – concluiu Seth – Sou Seth Lycanthunder, então?
– Exatamente. Assim como seu pai era Peter Lycanthunder e por aí vai.
– Mas como saber se sou mesmo herdeiro de Lycanthunder? – perguntou Seth.
– Ah, veja esses cabelos! Loiros como os de Derek! Os meus também já foram assim – disse o avô, alisando os cabelos grisalhos. Seth abafou uma risada.
– Os olhos também são característicos. Quem mais tem esses olhos da cor do topázio? Só os descendentes de Lycanthunder!
– É vô, o senhor me convenceu. Mas eu gostaria de dormir um pouco, aconteceram coisas demais para um só dia.
– Mas Seth, não lhe contei a história de Lycan ainda! – insistiu o avô.
– Amanhã, vô – disse Seth entrando em casa, fora incrível como chegaram tão rápido.
– Tudo bem, então. Boa noite, Seth.
– Boa noite, vovô Lycanthunder – disse Seth sorrindo, enquanto subia a escada em espiral que dava para seu quarto com banheiro acoplado.

2 comentários:

  1. Enredo muito bom, pontuação excelente, vocabulário espantoso e um jeito de contar histórias maravilhoso.

    Expectativas para a continuação.

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  2. "As únicas visitas que recebiam eram do carteiro e da Sra. Diaz, uma vizinha roliça que sempre levava bolos ao avô de Seth."

    Valeu pela "vizinha roliça", KKKKKK!

    "Mas nem bem você fez um ano de idade, eles foram perseguidos até a morte."

    Acho que já li isso... KKK...

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